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FRAGMENTE VON UNS ZWEI.



UM BILHETE À MINHA SENHORA.

Pus jasmins, camélias e rosas invernais nos caixilhos das janelas, para que as veja florescer pela manhã — como há de nascer o sol para além das saudosas montanhas que se põem a nos ladear. Quis dizer-lhe, logo cedo, como dormes belamente, e como ostentas delicada boniteza jamais vista pela humanidade; como temi que, ao acordá-la, fosse-lhe tirar a paz, tão sagrada, que habita no reino dos sonhos e das fantasias… preferi retirar-me em silêncio… A manhã será longa, e também a tarde se estenderá com laboriosa dificuldade, posto que distante, tão distante de ti estarei… Asseguro-te, minha amada Nástienka, que não há um só instante em que minha mente não divague de volta para ti… Penso, com cuidado, nos deveres que me ponho a executar; entrementes, ao vislumbre teu, cheia de viço e alegria a sorrir para mim. Saio no silêncio de minhas saudades, desta falta tão breve que não se supre com qualquer memória, mas que se expande e toma forma a cada reminiscência remota que minha consciência evoca… À mesa, as frutas que tanto gosta, pães, chá, biscoitos. Coma o quanto puderes, bebas o necessário. E tenha-me sempre ao peito, como ao meu hei de carregá-la — intrínseca, entre as vísceras desta matéria que me compõe.

Não demoro a retornar!
Com amor,

Hedwig Lebenskraft.