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Agora o álcool já não queima.
Ele acaricia.

Meu corpo relaxa só o suficiente para admitir verdades que eu escondo até de mim mesma. Que eu te penso com a boca entreaberta. Que minhas mãos aprendem seu contorno no escuro da imaginação. Que meu desejo por você não pede permissão — ele invade, se espalha, toma posse.

Eu me embriago porque te amar acordada me deixa à beira de mim. Porque quando fecho os olhos, você vem inteiro: o peso do seu corpo, o som da sua respiração, o jeito como minha pele reconhece a sua antes mesmo do toque. Meu ventre se contrai como se você estivesse perto. Como se sempre tivesse estado. Não quero dividir você com o mundo. Quero ser o lugar onde você se desfaz. Quero ser o excesso que te cansa e o refúgio que te chama de volta. Sou perigosa quando amo. Sei disso.

Meu amor tem gosto de vinho forte e promessa quebrada. Ele escorre lento, mancha, não sai fácil. Eu te beberia se pudesse. Te guardaria dentro de mim como um segredo quente, pulsando, exigindo atenção.

O copo está vazio. Meu corpo, não.
E entre um gole inexistente e outro, eu aceito: não estou tentando esquecer você. Estou tentando sobreviver ao que sinto. Porque te amar assim é um vício que não quero curar — é a vertigem que escolhi chamar de destino.