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Armas não são perigosas. Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas e sabe qual é a pior parte disso tudo? Elas fazem isso com total consciência e convicção. Falo porque, durante anos, observei pessoas de diferentes idades, classes, culturas e posições. Descobri que a maldade raramente veste uma máscara de monstro ou se esconde no escuro... Ao contrário, ela está bem exposta, sorri, aperta a sua mão, faz promessas e, quando menos se espera, encontra prazer em destruir aquilo que não pode possuir. E não falo apenas de bens materiais. Quem me dera fosse apenas isso. A verdade é que há quem não suporte ver alguém em paz, seguindo em frente, feliz consigo mesmo. A felicidade alheia provoca inveja, o sucesso do outro causa rancor e a bondade é, muitas vezes, confundida com fraqueza. Pessoas que jamais construíram um único sonho se dedicam, com todas as forças, a demolir o sonho dos outros como se a infelicidade compartilhada pudesse, de algum modo infame, preencher o vazio que carregam dentro de si. Talvez, seja por isso que a humanidade segue caminhando em círculos, como um cão perseguindo o rabo, repetindo sempre os mesmos erros. E não, não é por falta de inteligência... É muito orgulho sobrando.

Os seres humanos preferem ferir a admitir os próprios erros e optam por espalhar mentiras ao invés de aceitar uma verdade que, de alguma maneira, os diminua. Tendem, também, a desprezar tudo o que não conseguem compreender e odiar aqueles que possuem a coragem que eles mesmos não conseguem ter. Essa crueldade não precisa ter uma necessidade concreta para florescer. Algumas pessoas machucam porque simplesmente podem e outras porque a dor do próximo lhes oferece a falsa ilusão de superioridade. Essa é uma violência silenciosa, velada com desculpas inventadas, e muito mais comum do que qualquer guerra travada em campos de batalha. 

No fim, compreendi que o mundo nunca foi dividido entre bons e maus, entre vilões e mocinhos... Isso não existe! Esse tipo de argumento é apenas uma mentira confortável que contamos a nós mesmos. Todo mundo carrega dentro de si a capacidade de criar ou destruir. Alguns, passam a vida toda erguendo seus sonhos e tentando transformá-los em realidade; já outros, fazem questão de reduzir tudo a cinzas. E, ironicamente, estes últimos quase sempre acreditam estar fazendo a coisa certa. Para mim, com certeza, esse é o pior defeito da nossa espécie, e também o que mais me assusta: a fácil capacidade de convencer a própria consciência de que o ódio é justificável e totalmente aceitável.


    "O inferno são os outros."
Jean Paul Sartre 

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