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私に見える唯一のもの

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O palácio é um oceano de cores vivas e reverência, mas eu só consigo enxergar a mancha cinzenta e displicente daquela mesa de trabalho. Ela está lá, encolhida, os cotovelos apoiados entre frascos e balanças, mexendo com veneno. O cheiro de ervas e podridão deveria ser repulsivo, mas para mim é quase... Viciante. Quando foi que eu deixei de ligar para essas coisas? É culpa dela? Fecho os olhos, exausto. O dia todo, mil olhos me seguiram, olhos famintos por atenção, olhos de admiração burra, olhos de cobiça. Não sinto nada por eles. São borrões indistinguíveis. Mas a falta do olhar dela... Sinto algo apertar no peito, algo ácido e quente que eu não consigo identificar. É ciúme? É ciúme daquele foco dela, daquela dedicação a um frasco de toxina que a merece mais do que eu. Eu não gosto da indiferença dela, me machuca. Me fere mais do que o aço frio de uma lâmina. Quero que ela me olhe, quero que ela me enxergue, eu quero sua atenção. Mas eu sei que ela não vai me dar o que eu quero. E mesmo assim eu sinto que preciso dela... Eu a aprecio. Não, eu a devoro com os olhos, mesmo sabendo que ela está apenas amassando uma raiz mortal. O jeito que a testa dela se enruga, o movimento calculista de seus lábios. É feio, é rude, é...

É a coisa mais genuinamente bela que existe neste palácio de mentiras. E eu não consigo, nem por um segundo, desviar o olhar. Estou preso à sua indiferença.